"Quem sou eu", eu pergunto ao Universo, sentado na beirada da minha cama, "perto de todas as outras?"
Ele desvia a atenção do teto e me encara nos olhos.
"Quem sou eu
perto desse mar de vozes suaves
e pés leves
e braços limpos?
Perto da imensidão de cabelos macios
e mentes inteligentes
e mãos sem calos?
Perto de todos esses poços infinitos de talento
e beleza
e charme?"
Quem sou eu se comparada a elas, e o que é que o trouxe até aqui, ao invés de ir em qualquer outra direção?
O Universo estende a mão
sempre quente
e segura as minhas,
congeladas e roxas e amarelas e tremendo.
"Por que você acha que o que tem
o que é
não é o suficiente?"
Desvio o olhar.
"Algum dia já foi?"
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