quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

As mãos do destino.

"Escolhe uma cor", eu digo e você responde
Roxo.
E é nessa cor que nós aparecemos nas pinturas dos corredores da minha mente. As memórias de quadras de futebol vibrantes e o orgulho enchendo meu peito como uma taça de vinho do porto. Os 10 minutos que passamos juntos sozinhos em qualquer restaurante antes de todos os outros chegarem e a sua voz fazendo meu rosto travar no sorriso mais sincero que eu tenho.
"O que você fez nas férias?" eu te pergunto sentada à sua frente no Restaurante das Luzes perto da rodoviária. E te ouço falar, e então te conto sobre pular de parapente. E você escuta. E eu não percebo, mas isso é tudo
Roxo.
Isso é tudo um estado de pré-amor, um quase-apaixonada-por-você, uma imensidão inteira contida no fundo do meu coração.
Ainda não.
Ainda.

"Escolhe uma cor", eu digo e você responde
Fúcsia.
E nós estamos pintados dessa cor nos painéis épicos dos meus sentidos.
As tardes infinitamente quentes, sentada com as pernas esticadas quase encostando nas suas numa cadeira de madeira, e aprendendo com a nossa frustração que às vezes (só às vezes) as pessoas que me amam também sabem o que é melhor pra mim. As noites mais amenas, a cabeça leve e os pés um pouco desajeitados graças a uma bebida ou quatro, deixando a frustração de lado e te ligando, demandando a resposta para "onde é que você está?".
É a cor das noites que eu me atrevo a encostar no seu ombro - e você se atreve a apoiar a cabeça em mim - e finalmente parece que algo no mundo está certo. A cor das noites que passamos acordados um com o outro, alimentando nossa coragem com pães doces e alguns drinques demais, cada vez mais perto, cada vez mais trêmulos, cada vez mais certos. A cor dos beijos na frente de todo mundo que conhecemos, e a cor de "você não sabe quanto tempo eu esperei por isso".
Mas eu sei. Eu sei porque eu
Esperei junto.
Esperei nas horas absurdamente jovens das manhãs de quarta-feira, te contando da pior coisa que aconteceu comigo esse ano, querendo desaparecer, e você me fazendo
Rir.
E então eu fazendo minha família inteira rir por sua causa. E eu esquecendo das mensagens 3 horas atrasadas que só me fizeram sentir pior. 
Você sempre me fez esquecer das coisas que só me faziam sentir pior.
Esperei nas noites devastadoras de quinta, sentada em uma mesa de bar solitária, querendo nunca ter saído de casa, te pedindo socorro e você dizendo "desse jeito você vai sofrer demais e o mundo inteiro já viu isso" e eu resolvendo tudo
No dia seguinte.
Sei que você esperou nos dias em que eu chorava tragédias que nunca te fizeram sentido, e esperou na paciência que teve pra impedir cada lágrima.

Nós
Esperamos tempo demais
Por isso.

E agora fúcsia é a cor da minha entrega irrefreável, desse estado de certeza-de-amor, nessa ausência de dor no meu peito.
"Escolhe uma cor", eu digo. E todas as suas cores são complementares das minhas.

(dec. 25th, 2019)

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